Tânia Rabello
O ator Marcos Palmeira não demonstra ecletismo apenas na interpretação de seus personagens na TV, em seriados ou no cinema. Na vida real ele vem revelando várias facetas. Além de ator e agricultor orgânico e certificado, Marcos Palmeira investe agora no comércio na zona sul do Rio, com o Armazém Vale das Palmeiras.
Inaugurado há cerca de um mês, no charmoso bairro do Leblon, o Armazém Vale das Palmeiras é um misto de empório orgânico com lanchonete que serve sucos, salgados e sanduíches – tudo com ingredientes cultivados sem o uso de adubos químicos e agrotóxicos e processados sem aditivos sintéticos. Parte do que é vendido na loja vem de sua fazenda em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. Ali Marcos Palmeira cultiva cerca de 30 itens orgânicos, entre hortaliças, frutas e legumes.
O sonho de inaugurar um empório exclusivamente orgânico – são mais de 500 produtos em oferta na loja, entre nacionais e importados – começou há 17 anos, quando Marcos Palmeira começou a produzir de forma orgânica na sua propriedade, “convertido” por João Carlos Ávila, especialista em agricultura biodinâmica, do Instituto de Biodinâmica de Botucatu (SP). “Tinha vontade de oferecer ao consumidor um produto fresco e colhido na véspera”, diz Marcos Palmeira, em entrevista exclusiva ao PORTAL ORGÂNICO.
Passadas quase duas décadas – hoje o “agricul-ator” fornece principalmente para o Supermercado Zona Sul –, decidiu que era hora de se aventurar no varejo por conta própria, embora continue entregando parte da produção semanalmente para o Zona Sul. “Levamos um ano para concretizar a ideia do Armazém Vale das Palmeiras”, conta. Quem o assessorou para isso foi a sua atual gerente-geral, Cristina Bahia, que também é representante da fazenda. “Daí procurei dois amigos para entrarem nessa comigo, eles toparam e isso foi um incentivo para mim”, diz. “Fizemos um plano de negócios e vimos que era viável.”
Marcos Palmeira tem mais companhia na empreitada. Conta com o fornecimento de mais de 500 produtores orgânicos para abastecer as prateleiras. “Procuramos ter uma relação próxima com todos esses produtores, para incentivar essa rede, principalmente no Rio”, diz o ator, que volta e meia aparece na loja e cumpre mais um papel na vida real: o de vendedor. E, famoso que é, de chamariz para seu próprio negócio.
Verduras, legumes, frutas, cereais, tubérculos, bebidas alcoólicas, refrigerantes, carnes, laticínios, cogumelos e processados como molhos, massas, biscoitos e até cosméticos e material de limpeza podem ser adquiridos no Armazém Vale das Palmeiras. “Servimos também um suco verde feito na hora, além de sanduíches e salgados”, comenta.
O preço é justo? Perguntamos ao ator, que responde: “Os preços estão de acordo com o local de venda, já que estou no coração do Leblon. As pessoas não mensuram no valor do convencional as perdas com poluição das águas, do solo, de quem produz e de quem consome. Procuramos ter um preço justo, embora, pelo local que estou instalado, meus custos sejam altos. Com certeza vendo mais barato do que o supermercado. Continuo achando, porém, que orgânicos podem ser populares”.
Marcos Palmeira diz ainda que fez questão de, na medida do possível, construir a loja com material sustentável. “A madeira é certificada, mas a água e a luz, por exemplo, vêm de um condomínio no qual a loja está instalada”, diz ele. “A ideia inicial é que a loja fosse toda certificada, mas me parece que não há certificação para estabelecimentos”, continua. “Mas minha cabeça é certificada, então tudo o que eu vendo na loja é assim. É uma exigência minha.”
Sua alimentação também é “certificada” na medida do possível. Ou seja, tenta ter uma alimentação praticamente 100% orgânica. Na TV Globo, inclusive, garante que já “converteu” vários colegas para os orgânicos. Aproveitando, aliás, a fama de ator, Marcos Palmeira estampa, em todas as embalagens dos produtos da Fazenda Vale das Palmeiras, uma foto sua. “Acho que isso funciona para vender mais, pois cria uma identidade direta com o consumidor, além do que são produtos nos quais acredito, então por que não colocar a minha cara?”, justifica o ator.